"Sem a música, a vida seria um erro"

Copinha...

sábado, 10 de novembro de 2007


Certo dia achei um vinil que era uma coletânea de musicas brasileiras de 1972. A coletânea era repletas de gênios. Lembro bem que tinha Elis Regina interpretando "Carinhoso" de forma belíssima. Também tinha Fagner cantando a situação de quase inanição do forte nordestino em "Pau de Arara".
Mas uma faixa em especial me chamou atenção. Era a canção "Orgulho de um Sambista", do maravilhoso Jair Rodrigues. A letra começava:

"Você falou que junto comigo não mais desfilava
que se a minha escola perdesse você não ligava
Você falou que junto comigo não mais desfilava
e que se a minha escola perdesse você não ligava"

E seguia a letra sobre a porta-bandeira que largava o desfile de carnaval para viver um amor de arquibancada. E o sambista que foi "chutado" pela bela porta-bandeira termina campeão do carnaval e termina a letra com a tacada final:

"Meu bem o azar foi seu
eu ganhei o carnaval
porque você perdeu
e me perdeu..."

O interessante não foi a letra cheia de lamentos que me chamou atenção. Simplesmente fiquei hipnotizado com a capacidade de transformar um samba em uma obra-prima. Ouvia a música sem parar, mas abstraindo todo o resto do arranjo e da voz de Jair Rodrigues. Não conseguia acreditar na sofisticação do tal flautista. Fiquei muito tempo procurando informações sobre o músico que por crimes cometidos pela indústria fonográfica, simplesmente não tinha o nome na ficha técnica do disco.

Uns dois anos depois descobri quem era o tal flautista. Era este senhor lá em cima: Nicolino Cópia, mais conhecido como Copinha. Descobri que foi um dos maiores músicos de nosso país e, como tantos outros, simplesmente jogados ao anonimato neste país sem memória.

Segue uma breve biografia de Copinha...

Nascido em uma família de imigrantes italianos músicos, começou a tocar flauta, clarineta e saxofone com os irmãos na infância. Na década de 20 trabalhou profissionalmente acompanhando filmes mudos em cinemas de São Bernardo do Campo e São Paulo.

Nos anos 30 ingressou no rádio, e começou a tocar com Garoto e Moreira da Silva, gravando seu primeiro disco. Participou também de orquestras e tocou em teatros e cassinos, tendo se apresentado ao lado de Pixinguinha no dancing Eldorado. Foi um dos instrumentistas mais requisitados para acompanhar os grandes nomes da era do rádio como Francisco Alves, Mário Reis, Silvio Caldas, Carmen Miranda, Carlos Galhardo, Ciro Monteiro, Aracy de Almeida, Orlando Silva e outros.

Quando a bossa nova surgiu, participou das primeiras gravações, com Tom Jobim e João Gilberto, e depois disso tornou-se assíduo nos discos do movimento. Com a revalorização do choro em meados dos anos 70, voltou a ser muito requisitado. Tocou com a nata da MPB, tendo acompanhado Chico Buarque, Caetano Veloso, Roberto Carlos, Gilberto Gil, Paulinho da Viola e outros.

Para ouvir "Orgulho de um Sambista", aperte o play e ouça o mestre Copinha:

1 comentários:

Anônimo disse...

A música é de Gilson de Souza e não de Jair Rodrigues. Hoje em dia muita gente diz que é de Adriana Calcanhotto, que a gravou mais recentemente.