Sou rubro-negro. Tenho como exemplo nas quatro linhas um craque que de tão simples, nem parece ter a majestade que tem. Não se enamorou pelos carrões, baladas e "podres poderes" que muitos companheiros de profissão abraçaram.
É casado desde 1978 com Sandra, tem 3 filhos e é rei de uma Nação de 35 milhões de pessoas apaixonadas que reconheceram o seu reinado acompanhando sua dedicação, súor, lágrimas e talento. Poderia ter parado em 1985 depois do crime que lhe foi cometido, mas com a gana que somente vencedores e lutadores possuem não se permitiu a covardia da fuga. Lutou herculeamente para se recuperar e terminar sua carreira brilhante com a mesma cabeça erguida com que jogava, como esta foto que abre este post.
Ontem, aos 54 anos de idade, Zico jogou num Maracanã em clima de fim de ano. Época em que há um êxodo: muitos viajam para ficar com a família. Mesmo assim, mais de 35 mil pessoas foram ao velho estádio ver e rever o craque.
O ato de rever o craque coube aos mal acostumados, o qual me incluo, que tiveram inúmeras alegrias num passado não tão distante assim. Diante de uma realidade tão pobre do futebol moderno foi refrescante rever um Zico que com mais de meio século de vida, encanta com a facilidade que "mata" a bola e "descobre" espaços para deixar os companheiros na cara do gol.
O ato de ver o rei Zico coube as crianças e adolescentes que só tiveram a oportunidade de ver o futebol de nosso rei, nas telas de TV apartir de DVDs que seus pais/tios/avós compram para resgatar a memória de um futebol de ouro.
Fiquei imaginando o que deve ter passado na cabeça da criançada que esta acostumada com os "craques" de hoje em dia... Em sua maioria, os craques de hoje não falam sequer português... E quando fala português, não é brasileiro... Ou vocês não sabem que uma das camisas mais vendida neste Natal foi a do Cristiano Ronaldo do Manchester United???
Privilegiado Cristiano Ronaldo... Se tivesse nascido na geração de Zico, seria mais um jogador mediano que cumpria seu papel de coadjuvante.
O que não me sai da cabeça é que durante muitos anos os pais/tios/avós devem ter bombardeado a cabeça das crianças e adolescentes falando que Zico foi o maior de todos. Abusando de um discurso retórico contavam as sagas e batalhas campais em que, num lampêjo de genialidade de nosso rei, saíamos de campo como vencedores. Relatos de um tempo onde mesmo as derrotas eram vendidas de forma muito cara: custavam sangue, suor e raça.
O imaginário infantil deve ter viajado ontem a noite, pois diante de seus olhos aconteceu algo que para uma criança é impossível esquecer: a verdade foi mostrada!
Sem mentiras ou invencionices...
Obina - o predestinado - rouba uma bola na entrada da pequena área vira-se e dá de cara com nosso rei. Como numa fagulha do tempo, passa a bola para Zico. Com somente um toque deixa Gamarra no chão e com mais dois toques deixa o goleiro Cássio petrificado. Bola na rede. Como nos velhos tempos...
E como nos velhos tempos o velho estádio explodiu em êxtase. Muito mais do que gritos e cânticos, o que soou no Maracanã ontem foi saudade.
Saudades de rever este sorriso acima depois de marcar mais um gol no estádio que o consagrou e com a camisa do time que sempre amou!
Valeu por Tudo Zico! As crianças agradecem!
Camisa 10 da Gávea
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
1 comentários:
Poxa sandro... assim não vale!
Mexeu com a emoção de forma que fiquei por aqui com o coração partido de ter que voltar a realidade e saber que homens como o galinho estão em extinção!
SALVE O CAMISA 10 DA GÁVEA!!!!!!!!!!
Postar um comentário