
Não é preciso dizer que o esporte número um do nosso país é o futebol. Sem discussões sobre isto. Sobre os outros esportes preferidos sempre há discussões, mas não é bem sobre isto que quero escrever.
Quero escrever algo sobre o nosso campeão Gustavo Kuerten, mas conhecido como Guga.
Lembro-me de uma manhã de domingo nublada. Era algo em torno de 11 da manhã e estava percorrendo as ruas de Icaraí. Via os bares lotados de pessoas em profundo silêncio, todos olhando hipnotizadas para as TVs.
De repente ouvia-se gritos de alegria. Pessoas se levantando das cadeiras e se abraçando. Outros falando alto e praticando outro esporte nacional: comentarista esportivo.
Nos prédios ouvia-se a mesma gritaria quase sincronizada ao movimento dos bares. Tudo numa algazarra brazuca: a cada conquista ou lance emocionante transformava-se em um grande demonstração de "patriotismo-momentâneo-solúvel"!
A descrição por mais parecida que fosse de partida de Copa do Mundo não é verdadeira! Não era final de Copa do Mundo, era a final de Roland Garros tradicionalíssimo torneiro do Grand Slam de tênis. O campeão do ano de 1997 foi o jovem brasileiro Gustavo Kuerten, um título masculino inédito para a conhecida nação de chuteiras!!!!
Lembro até hoje do pós-ponto final: quando confirmou-se a vitória de Guga todos se abraçavam, muitos choravam, outros gritavam "É Campeão!!!" Só que era TÊNIS!!!! A grande maioria dos brasileiros não sabia NADA de Tênis!!! Ainda hoje sabem muito pouco, e incluo-me nesta maioria, mas descobrimos que existia um hérói entre nós!!!
O carisma, talento e raça daquele então menino de 21 anos emocionou a todos e não parou por ai: Ganhou mais 2 torneios de Roland Garros e ficou como primeiro do ranking por uma temporada inteira!!!! Feito digno de estar no panteão de heróis nacionais!
Um héroi que não julgou-se como um, mas viveu como um mero humano: o físico era fraco e forçado ao extremo, era tímido, surfista, reservado até demais. Ou seja estas coisas que a midia sugadora não suporta!
No dia 12 de fevereiro de 2008, depois de demonstrar que o corpo e músculos não aguentavam mais a prática do tênis, Guga resolveu parar da forma mais humilde, gentil e tocante que somente os verdadeiros mitos podem fazer:
e não é que eu não queira jogar mais.
Desculpa, mas não consigo mais."
Sincero relato de quem viveu todas as emoções que nenhum tenista brasileiro viveu até o dia de hoje. Começou humilde e brilhante. Terminou sua carreira profissional da mesma maneira.
Valeu Guga!
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